quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sufismo

O sufismo é uma maneira de viver (din é a palavra árabe que usam os sufíes para referir-se a ela) que leva implícita uma cosmovisão e implica um compromiso de oferecer vida a todos e cada um dos aspectos e facetas da existência. Não cabe pois falar de literatura, poesía, música ou dança sufí como se fossem compartimentos estanques, atividades que ocorrem à margem do resto e com uma finalidade em si mesmas. Tudo o que faz o sufi orienta-se à conquista da iluminação, à abertura espiritual. É necessário aniquilar o ego para experimentar com todo o Ser (e não somente com a mente) a Unidade de toda a Criação, a União mística, na qual desaparece a separação entre sujeito que observa e realidade observada.

ATENÇÃO: matéria em estudo, ainda... Contribuições são bem-vindas.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Limerique

LIMERIQUE é um poema curto, de cinco versos, organizados na seguinte ordem: 8-8-5-5-8 sílabas poéticas. A primeira, a segunda e a quinta linhas terminam com a mesma rima; a terceira e a quarta são mais curtas e rimam de modo diferente das outras. Sendo assim, o sistema rimático se perfaz assim: AA-BB-A. Anárquico e divertido, quase uma piada, foi desenvolvido pelo poeta Edward Lear.


Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro 9 de novembro de 2011 - 18h17

O que é uma trova?


A TROVA é uma modalidade literária, denominada por alguns autores de “a mais alegre Poesia”. Expressão artística da síntese, trata-se de um poema completo. É uma forma fixa de versificação e se compõe de quatro versos setessílabos, denominados redondilha maior. Caracteriza-se, assim, pela métrica dos versos exaltada em sete sílabas poéticas.

Na TROVA, a rima é obrigatória. Na forma clássica e tradicional, rima-se o primeiro verso com o terceiro e o segundo com o quarto. Na forma simples, aceita-se rimar somente o segundo verso com o quarto. A rima paralela no meio da TROVA, também é tolerada: rima-se o segundo e o terceiro versos e o primeiro verso com o quarto.
O escritor Jorge Amado, em entrevista a Maria Thereza Cavalheiro, jornalista e trovadora, exara apaixonado: “Não pode haver criação literária mais popular e que mais fale diretamente ao coração do povo do que a Trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e por isto mesmo a Trova e o Trovador são imortais.” Desde então, este pensamento é citado em quase todos os artigos que se referem à TROVA.
Todo trovador é poeta, mas nem todo poeta é trovador.
Deixo-lhes aqui, algumas trovinhas consagradas.

Mariinha Mota, minha Mamãe:

Duas coisas pedi a Deus,
nesta vida tão sumária:
viver feliz junto aos meus,
ser professora primária.

Fernando Pessoa:

O poeta é um fingidor,
finge tão completamente,
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente.

Menotti Del Picchia:

Saudade, perfume triste
de uma flor que não se vê,
culto que ainda persiste
num crente que já não crê.

José Valdez de C. Moura:

Pelos mares de saudade
o meu ser, vagando ao léu,
só deseja a liberdade
das andorinhas do céu:

Autor desconhecido:

Parece troça, parece,
mas é verdade patente,
que a gente nunca se esquece
de quem esquece da gente.
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 22 de julho de 2009 – 20h47

Pentâmetro iâmbico [jâmbico]


Poema escrito com dez batidas por linha, em duas etapas, com ritmo ta-DUM ta-DUM ta-DUM ta-DUM ta-DUM. O ritmo em duas etapas é denominado "iâmbico." ("jâmbico"). O fato de que existem cinco desses "iambos" ("jambos") por linha faz o poema "pentâmetro" (penta = cinco).

Exemplo:

Esperança
Nefertiti Simaika

Assim se fez meu dom de amar sofrer -
Ao tom de astuto ardil ardi em dor,
chorei, sofri, minguei, burlei meu ser
e a flor olor de mim murchou sem cor.
- Condor na cruz, à espera do morrer...

ATENÇÃO: Tema ainda em estudo...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Letrix e grafismo

Pergunta de Sílvia Mota ao idealizador do Letrix: 21 de novembro de 2011

Querido Marco, existe a possibilidade de soltar assim a imaginação?
Beijossssssssssssss

Resposta de Marco Bastos em: 22 de novembro de 2011
Bom dia, Silvia.
Taí criativa, né? Como sempre... Os letrix são poetrix e os poetrix aceitam os grafismos que não sejam só numeros e letras. Então, nada impede que você os "sonorize".
abraços.
Marco.

Sendo assim, com o incentivo do PAI DO LETRIX, segue meu primeiro INVENTRIX (risos):


P apis Noel_***_// red read // barba baba branquinha... (1)
A mor FA_tal? // DO_R_É...MI...LÁ...SIm... // amor univer_SOL ! (2)
P apão vai pegar >:[ // bicho não – xô, xô...' ',, // - papa papo do vovô (3)
A NOITE é FELIZ :)) // - giz e giz - // risca o nariz! (¯`O´¯) (4)
I NVENTRIX.
.. // invenção no letrix! // sou FÉ_NIX!''**'' (5)

N eve no ar? // - só se for artificial - // calor infernal! :% (1)
O trenó – que dó... // tem rena só [:~( // e neve em pó (3)
E leva EVA releva // neve é leve ;D // AVE... leve a neve (2)
L ei de REI... errei? // - blamblémblimblomblum - // pois é... surtei! ^-^ (4)


Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 22 e 28 de novembro de 2011

Texto humanístico

Origem e significado do termo
O vocábulo humanismo deriva do latim humanus, que significa humano. Por tal disposição, sugere o saber que se refere ao ser humano, ao seu conhecimento e desenvolvimento, tanto no plano individual quanto social.
Nas palavras de Jostein Gaarder em sua obra “O livro das religiões”: “Podemos definir brevemente um humanista como alguém cuja visão do mundo confere grande importância aos seres humanos, à vida e ao valor do ser humano. O Humanismo realça a liberdade do indivíduo, a razão, as oportunidades e os direitos."
Filosoficamente encontram-se no humanismo diversos valores, como o antropocentrismo (tudo se relaciona ao ser humano), a valorização da razão, o pacifismo e o otimismo (no sentido de ter fé nas ações humanas).
Movimento Humanista
O Movimento Humanista, hoje em voga, é a manifestação prática do ideal de Humanizar a Terra e o anseio de dirigir-se para uma Comunidade Humana Universal. Ainda que neste momento pareça utópico, cultiva-se o germe de nova cultura decorrente de uma civilização que se preocupa/adapta a valores mínimos universais. Civilização que antevê encruzada difícil, diante da qual não ousará estancar os passos, que permitirão ao indivíduo desfrutar da própria liberdade. Ao admitir e valorizar as diversidades que permitem ao ser humano ostentar a dignidade que merece pelo mero fato de nascer, concretizar-se-á a igualdade de direitos e de análogas oportunidades.
Campo de estudo
O estudo dos temas humanísticos insere-se no campo das Ciências Humanas e as informações transmitidas dialogam com várias disciplinas, entre estas:
Filosofia: discorre sobre as reflexões humanas
Sociologia: estuda o ser humano quando inserido no corpo social
Psicologia: estuda a mente humana
Semiologia: ciência da comunicação
Passado Histórico/Cultural: História, Arte e Literatura
Classificação
Conquanto difícil uma classificação, assinalam-se os textos humanísticos da forma abaixo consignada:
  • por tema: literários, filosóficos, sociológicos, históricos;
  • pela entonação empregada pelo autor: culto, coloquial, informativo, irônico, lírico, satírico, entre outros;
  • pela atitude do autor: críticos e analíticos.
Visão literária
O tipo de texto mais utilizado na exposição das disciplinas humanísticas, qualquer que seja a temática em foco, é o ensaio que, a partir dos “Essais” de Montaigne, publicados em 1580, desenvolveu-se até alcançar a forma habitual de expressão do pensamento intelectual do século XXI.
Hodiernamente, o texto humanístico é breve e combina a prosa literária com a investigativa, o que lhe oferece caráter didático e de análise ou crítica de uma determinada realidade. Sua principal característica é a originalidade, por divulgar descobertas, invenções e conclusões de diferentes modalidades.
O texto humanístico supõe reflexão aberta e livre a respeito dos mais distintos temas, no intento de oferecer sugestões sobre algum aspecto concreto do tema-base. O escritor oferece uma visão pessoal (subjetiva) do objeto em estudo e para alcançá-la utiliza todos os procedimentos que o uso da palavra escrita põe ao seu alcance (classificação anterior). O discurso dominante é a exposição escoltada por argumentação consistente e rica. O desenvolvimento do tema deve ser dedutivo ou analisante (do geral para o particular) e sua estrutura global realiza-se em parágrafos que seguem o esquema básico: análise, argumentos e conclusão. Salienta-se que o ensaio permite certa liberdade em sua estrutura, sendo frequentes as digressões (inclusão de temas alheios ao central), citações, anedotas, impressões pessoais, enfim, uma liberdade estrutural decorrente da sua condição de reflexão livre e aberta.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2011 – 11h21

Encanto dos sonetos da vida do poeta

SONETO É SINÔNIMO DE POESIA?

Soneto não é sinônimo de Poesia (assim, mesmo, com letra maiúscula). A Poesia é uma das sete artes clássicas, pela qual a linguagem humana é esculpida com fins estéticos. POESIA é ARTE, é etérea, confunde-se ao SENTIR do SER POETA. Não se escreve POESIA. Sente-se a POESIA. Sua expressão, falada ou escrita - a obra - é o POEMA. O artífice é o POETA. Portanto, SONETOS são POEMAS, que se desenvolvem ao sabor de muita inspiração e sob regras específicas.

O SONETO APRISIONA A POÉTICA DO AUTOR?

Para ser poeta não é necessário escrever SONETOS. Mas, se o poema for assinalado como tal, que seja composto de acordo com as regras seculares. Caso contrário, escreva-se outra coisa. Será lindo, também.

Sou apaixonada por SONETOS! Em particular, constituem-se no ápice do meu encantamento! Desde pequenina escuto-os, embevecida, pela voz da minha mamãe, quando declamava sonetos da sua autoria, inspirada nos olhos indecifravelmente azuis do meu papai... meu belo papai...

Sempre que afirmo ser encantada por SONETOS, assisto bocas retorcidas, narizes franzidos e frases como: “Ih! Você gosta disso? Não gosto de me prender a rimas e métricas...” ou “Nunca achei que prisão combinasse com inspiração...” ou “Nossa! Se és artista, como consegues aprisionar-te a tantas regras?”

Erro crasso!

As regras seculares do SONETO não se traduzem em prisão ao dom da criatividade. Seu papel é o de atuar como fonte de sedução e não de prisão. Sendo vistas como algemas, morrem, suicidam-se, afogam-se o poeta, o pintor, o músico e todo aquele que se disser “criador”. Entregar-se às regras, significa encontrar-se com o âmbito da própria liberdade. Aquele espaço “tão restrito” fica enorme quando se lhes dirigem todas as emoções. Ao especificar, amplia-se!

Deflagra-se o processo criativo ao estabelecer-se o elo de tensão entre o que se tem e o que se pretende alcançar. Sabe-se onde deve atuar e a partir dali, transcende-se às coisas corriqueiras e banais. Em suma, cria-se! Exercito-me, diariamente, quando me dedico a uma atividade literária, artística e/ou científica. Temer as regras, para minha forma de enfrentar a vida, é sinônimo de preguiça intelectual, porque seria muito mais “fácil” atuar num campo conhecido. Por mim, prefiro os desafios.

Agora, vamos ao que seja, per si, um SONETO.

DEFINIÇÃO E ESTRUTURA DO SONETO

O soneto é um poema de 14 versos dispostos em dois quartetos e dois tercetos. Essa a dificuldade, pois ao autor caberá desenvolver um atraente enredo (início, meio e fim) ao decorrer dessa pequena estrutura e sob o comando de algumas regras essenciais.

É muito rica a experiência concernente à realização de um SONETO! Imprescindível que seu último terceto desvende um último verso no qual o poeta exponha o êxtase da sua criação. É preciso que seja impactante de anseio ou de fascínio! O leitor leva “um soco” ou “um beijo roubado”. Nada mais é preciso, não procura outros versos, não vira a página a procurar o final... Apoteose, pressentida pela sua alma! O último verso do SONETO extasia o leitor, não antes de seduzir seu próprio autor, que por vezes, sucumbe ao próprio encanto...

RIMAS NO SONETO

Os sonetos clássicos - Italiano ou Petrarquiano - exibem tão somente 4 (quatro) ou 5 (cinco) rimas, assim dispostas: 2 (duas) rimas nos quartetos e 2 (duas) ou 3 (três) rimas nos tercetos.

Os dois quartetos rimam entre si, comumente, nos sistemas:
a) rimas entrelaçadas ou opostas: ABBA-ABBA;
b) rimas alternadas (ou cruzadas): ABAB-ABAB;
c) rimas emparelhadas: AABB-AABB.

Essas regras, por vezes, são ignoradas, utilizando-se três ou quatro rimas nos quartetos. Salienta o poeta João Roberto Gullino, que ao romper com a tradição, a sonoridade, por vezes, queda-se comprometida.

Os dois tercetos aceitam duas ou três rimas, sempre diferentes dos quartetos, sob variáveis disposições, tais sejam: cdc-cdc; ccd-ccd; cde-cde. Alguns autores salientam que não existe a obrigatoriedade dos segundos versos dos tercetos rimarem entre si.

Sobre esse pensamento, cito a poética irreparável de Camões:

"É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?"

Para conferir maior sonoridade aos versos, pode-se lançar mão de outras modalidades de rima, a saber:

a) rimas internas: quando ocorrem no interior dos versos.

Eis um exemplo em Camões:

Lembranças, que lembrais meu bem passado
Para que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.

b) rimas encadeadas: quando a última palavra de um verso rimar com a palavra inserida no meio do verso seguinte.

Segue exemplo de Tomás Ribeiro:

Dormes! e eu velo, sedutora imagem,
Grata miragem que no ermo vi;
Dorme - Impossível - que encontrei na vida,
Dorme, querida, que eu descanso aqui.

No caso do soneto Inglês/Shakespeareano, apresentam-se três quadras com rimas cruzadas diferentes (ABAB-CDCD-EFEF) e, no dístico final, insere-se rima emparelhada diferente daquelas usadas nos quartetos (gg).


Para finalizar este tópico, busco em Antônio Feliciano Castilho uma atraente colocação a respeito da predileção entre o verso rimado e o verso livre: “Os bons versos soltos são muito bons; os versos bem rimados são muito melhores.”

No meu pensar, não importa que se façam versos com rima ou sem rima, clássicos ou livres; mas, sim, que se façam versos, versos e mais versos. A função do poeta é MARAVILHAR o leitor, o que somente ocorre através de exercício diário. Sem encantamento, não existe o poeta. É de sabença, que os gênios não o serão o tempo todo, mas, os bons poetas necessitam sê-lo, na maioria das vezes em que se expressam.

QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS (MÉTRICA/SONORIDADE)

Ab initio, os 14 versos do SONETO apresentarão o mesmo número de sílabas poéticas e os versos serão regularmente metrificados, sob diversas formas.

MONOSSÍLABOS

Sonetos com uma sílaba poética e acento tônico na 1ª sílaba.
Rimas: ABAB-ABAB, cdc-ede; ABAB-ABAB, cdc-cdc; ABAB-ABAB, cac-dad.
Exemplo de Soneto Monossílabo, de Sílvia Mota:

Ela-Flor

Tem
Flor
Sem
Dor?
*****
Sem
Cor
Tem
Flor?
*****
Ela -
Tão
Bela!
*****
Bela -
Tão
Ela!

DISSÍLABOS

Sonetos com duas sílabas e acento tônico na 2ª sílaba.
Rimas: ABAB-ABAB, cdc-ede; ABAB-ABAB, cdc-cdc.
Exemplo de Soneto Dissílabo, de Sílvia Mota:



Viver
primeiro.
Morrer
inteiro.

Crescer
certeiro.
Sofrer
cordeiro.

Atrito
interno
aflito.

Conflito
eterno...
um mito!

TRISSÍLABOS

Sonetos de três sílabas poéticas.

Os versos trissílabos exigem o acento tônico na 3ª sílaba, mas poderão exibir acento secundário na 1ª sílaba.

TETRASSÍLABOS

Sonetos de quatro sílabas poéticas.
Os versos tetrassílabos apresentam assim os acentos tônicos:
a) 2ª e 4ª sílabas;
b) 1ª e 4ª sílabas; ou
c) simplesmente na 4ª sílaba.

Rimas: ABAB-ABAB, cdc-ede; ABAB-ABAB, cdc-ece; ABAB-ABAB, cdc-cdc.

PENTASSÍLABOS OU REDONDILHA MENOR

Sonetos de cinco sílabas, que podem apresentar acentos das seguintes formas: 2ª e 5ª sílabas; 1ª, 3ª e 5ª sílabas; 1ª e 5ª; 3ª e 5ª; 2ª e 5ª.

Rimas: ABAB-ABAB, cdc-cdc; ABAB-ABAB, cdc-ede; ABAB-ABAB, cdc-ece

HEXASSÍLABOS

Sonetos de seis sílabas poéticas, com acentos obrigatórios na 6ª sílaba, juntamente, com uma ou duas das quatro primeiras sílabas. Por exemplo: 2ª e 6ª ou 4ª e 6ª sílabas.

Rimas: ABAB-ABAB, cdc-cdc.

HEPTASSÍLABOS OU REDONDILHA MAIOR

Sonetos de sete sílabas, que aceitam diversas modalidades rítmicas:

"Surgem velas muito além." (1ª, 3ª, 5ª e 7ª)
"Todo o tempo me sobeja." (1ª, 3ª e 7ª)
"Viveria sempre lá." (3ª, 5ª e 7ª)
"De que tudo acontecesse." (3ª e 7ª)
"Tudo o que está para trás." (1ª, 4ª e 7ª)
"O tempo tudo melhora." (2ª, 4ª e 7ª)
"Ou foi ou jamais começa." (2ª, 5ª e 7ª)
"Que se prolonga sem pressa." (4ª e 7ª)

***Exemplos de versos heptassílabos extraídos da obra “Cancioneiro”, de Cabral do Nascimento.

Rimas do heptassílabo: ABAB-ABAB, cdc-cdc.

OCTOSSÍLABOS OU SÁFICOS

Sonetos de oito sílabas, com acentos na 4ª e 8ª sílabas.

ENEASSÍLABOS

Sonetos com nove sílabas, com acentos na 3ª, 6ª e 9ª sílabas.
Sistema rimático: ABAB-ABAB,cdc-ede.

DECASSÍLABOS

Os decassílabos são curiosos, apresentando-se sob duas formas: o verso decassílabo heróico, que apresenta tonicidade na 6ª e 10ª sílabas, tendo o seguinte esquema rítmico 10 (6-10); e o verso decassílabo sáfico, com tonicidade na 4ª, 8ª e 10ª sílabas. Seu esquema rítmico é 10 (4-8-10). Todos os 8816 versos de "Os lusíadas", de Camões, são decassílabos heróicos.

HENDECASSÍLABOS OU DATÍLICOS

Sonetos de onze sílabas, com acentos:
a) nas 2ª, 5ª, 8ª e 11ª sílabas;
b) nas 4ª, 6ª, 8ª e 11ª sílabas;
c) nas 1ª, 3ª, 5ª, 7ª, 9ª e 11ª sílabas;
d) nas 5ª e 11ª sílabas.

Sistema rimático: ABAB-ABAB,cdc-eee.

DODECASSÍLABOS

Sonetos com doze sílabas, com acentos na 6ª e 12ª sílabas.

DODECASSÍLABOS ALEXANDRINOS

Os versos alexandrinos apresentam-se com 12 sílabas poéticas (dodecassílabos). Contudo, não lhes bastam as 12 sílabas. Exigem outras regrinhas.

Vamos aprendê-las?

Primeira regrinha:

O verso alexandrino possui 12 sílabas poéticas - o METRO - com a presença obrigatória da tônica - que determina o RITMO, na 6ª e 12ª sílabas poéticas.

Existem outras formas de demarcar o RITMO, como por exemplo:
a) presença da tônica na 2ª, 4ª, , 8ª, 10ª e 12ª (acentuação Yâmbica);
b) presença da tônica na 3ª, , 9ª e 12ª;
c) presença da tônica na 4ª, e 10ª e 12ª.

SALIENTA-SE que somente ocorrerá um verso essencialmente alexandrino quando ocorrer a tônica na 6ª e na 12ª sílabas poéticas.

Segunda regrinha:

Ressalto algumas regras conhecidas por todos os sonetistas, sobre a colocação das tônicas em seus sonetos, permitindo que o verso dodecassílabo seja caracterizado como alexandrino ou não:

1) Todos os SEGUNDOS HEMISTÍQUIOS de todos os versos terminarão com palavras paroxítonas (chamadas de palavras graves).

Eis o ensinamento de Olavo Bilac e Guimaraens Passos em seu "Tratado de versificação": "No soneto clássico, todos os versos são graves."

2) Jamais finalizar o 1º HEMISTÍQUIO com palavra proparoxítona.

3) Ao término do 1º HEMISTÍQUIO, com palavra paroxítona terminada em vogal, faz-se necessário que a próxima palavra comece com uma vogal átona ou consoante muda para haver a ELISÃO;

4) Se terminarmos o 1º HEMISTÍQUIO com palavra oxítona, com ou sem elisão com a palavra seguinte, o dodecassílabo se mantém.

Eis o ensinamento de Olavo Bilac e Guimaraens Passos em seu "Tratado de versificação": "A lei orgânica do alexandrino pode ser expressa em dois artigos: 1º) quando a última palavra do primeiro verso de seis sílabas (hemistíquio) é grave, a primeira palavra do segundo deve começar por uma vogal ou por um h; 2.º) a última palavra do primeiro verso (hemistíquio) nunca pode ser esdrúxula." Entenda-se por "esdrúxula", a palavra proparoxítona.

Rimas nos alexandrinos:

Quanto ao sistema rimático, os sonetos alexandrinos obedecerão aos anteriormente citados. Ressalta-se, que as rimas serão preferencialmente ricas - aquelas realizadas com classes de palavras diferentes ou, segundo alguns autores, com aquelas palavras que possuem todas as letras iguais, desde a letra inicial da sílaba tônica até a última letra da palavra escolhida.
Por exemplo:
inTENSO // preTENSO
taLENTO // viruLENTO
pensaMENTO // casaMENTO

Deixo-lhes um soneto alexandrino da minha autoria:


A pérola do colar que enfeita meu pescoço

Divina e bela flor – me chamas introverso –
mas louca, assaz ousada - em páramo infinito –
um bel jardim campeio às orlas do Universo,
qual do Ocidente a rúbia insensatez é rito!

Não sabes nada em mim – não vês nenhum reverso –
e às chamas desse amor - és fantasia, és mito –
alisas meu cabelo a cada verso inverso,
sou fama em ti nascida e o mundo é tão bonito!

Se queres casta flor – flamejo ardente dama,
pois meu frescor de rosa assume sem cautela
secreto encanto audaz - e quero ser perfeita!

Um beijo quente aspiro - o meu pescoço inflama,
suplica a língua em lança e, delicada e bela,
almejo ser-te pura - a pérola que o enfeita!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Reafirmo que a edição do SONETO não é um digladiar de palavras e de frases, não é um jogo de quebra-cabeça a ser vencido após um cansativo e desgastante esforço. Aliás, a rigidez das suas regras impede que isso aconteça. Só escreve SONETO o poeta que gosta de desafios, porque o clássico poema parece um leão bravio que somente se deixa domesticar frente à experiência exuberante do poeta com as palavras. Então, flui naturalmente. Há quem não compreenda, mas tudo sai livre e na cadência perfeita. Depois que o poema chega, inicia-se a contemplação, e a partir desse galanteio entre criador e criatura surgem os acertos. Mas o SONETO, em si, viera antes... livre como um passarinho que se deseja longe da gaiola.

Na criação de um SONETO, para além da inspiração cativante, as regras são imperativas. E, que não se chame de SONETO a dois quartetos e dois tercetos, sem a presença das demais regras clássicas, sob a justificativa de ser um poeta que “segue um movimento atual, liberto de regras, onde o soneto é visto sob uma nova visão...” ou coisas do gênero...

Ao poeta do mundo contemporâneo, não se exige conhecimento das regras de metrificação; não obstante, se opta por enveredar pela senda dos poemas tradicionais, de forma rígida, necessita sim, observar as regras impostas a cada formato. Não há como fugir.

Neste espaço, refiro-me ao SONETO, mas é preciso levar em consideração todas as expressões poéticas. Não sendo respeitadas as determinações, um poetrix não será um poetrix, um haikai não será um haikai e uma trova não será nada mais do que uma quadrinha.

Sendo abomináveis ao autor as regras que sustentam sonetos, poetrix, haikais, fibhaikus, tankas, letrix, trovas e outros mais, deve aquele seguir as regras dos poemas livres... que existem, também. Entre essas, ao mínimo, que escreva o idioma corretamente. Não me refiro somente à ortografia, mas que estude a conjugação dos verbos e realize precisamente as concordâncias nominais e verbais. Entre outras regras...

Este texto, de jaez perfunctório, nem de longe supre o necessário para se entender o que seja um SONETO. É preciso ler muito mais do que aqui se expõe.

Grata pela atenção.
Aceito sugestões ou possíveis correções.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Cabo Frio, 23 de julho de 2009 – 1h40
Reeditado em Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 2015 – 19h47
Ampliado em 24 de janeiro de 2017 - 3h40

Sílabas gramaticais e sílabas métricas: diferentes?


Sim, são diferentes, como veremos a seguir.

1 Sílaba gramatical

Vejamos um exemplo: “Canção de amor”

Separação das sílabas gramaticais:

Can / ção / de / a / mor.

2 Sílaba métrica

O fenômeno da separação das sílabas métricas (sons) chama-se “escansão dos versos”. Sendo assim, as sílabas métricas contam-se a partir da sonoridade, ditada por elisões e outras figuras gramaticais. Todo verso de forma fixa passa, obrigatoriamente, por este processo, que é diferente no caso das sílabas gramaticais.

No exemplo anterior: “Canção de amor”

Como estamos a falar de SOM, sabemos que ninguém lê desta forma, pronunciando, detalhadamente, sílaba por sílaba. Seria, no mínimo, pedante... rs

Sílabas métricas, poéticas ou sons:

Can / ção / dia / mor

Olhem a elisão aí, na terceira sílaba: “dia”! Entenderam?

Mais um exemplo?

Tomemos, por exemplo, um dos mais famosos sonetos de Olavo Bilac. Observemos tanto a métrica, quanto as rimas, neste caso: ABAB – ABAB -

O soneto que lhes apresento é o denominado verso decassílabo heróico.

Colocarei em letras maíusculas as sílabas tônicas (fortes):

O / ra / di / reis / ou / VIR / es / trê / las! / CER / to - A
Per / des / te o / sen / so!  E eu / VOS / di / rei, / no en / TAN / to, - B
Que, / pa / ra ou / vi- / las, / MUI / ta / vez / des / PER / to - A
E a / bro as / ja / ne / las, / PÁ / li / do / de / es / PAN / to... - B

No 2º verso ocorre uma elisão na 3ª sílaba. A palavra (te) termina em vogal e a próxima palavrinha é uma vogal solitária (o). Neste caso, juntamos as duas vogais numa só sílaba poética (teo), por isso só temos 3 sílabas. Logo a seguir, ocorre outra elisão na 5ª sílaba poética. A palavra (senso) termina em vogal e as que lhe seguem são todas vogais (E eu). Faz-se a junção, mais uma vez (soeu). Ufa! Outra elisão, no mesmo verso, desta vez na 9ª sílaba. A palavra (no) termina por vogal e a próxima (entanto), também começa por vogal. Juntamos tudo (noen).

No terceiro verso há uma elisão na 3ª sílaba. A palavra (para) termina por vogal (ra) e a seguinte (ouví-las) também começa por vogal. Aqui também juntamos os sons das vogais (rou), por isso temos somente 3 sílabas poéticas.

No quarto verso há uma elisão logo na 1ª sílaba, em decorrência da vogal solitária seguida da palavra (abro) que se inicia por uma vogal. Logo à segunda sílaba, outra elisão. A palavrinha (abro) termina em vogal e a subsequente também inicia-se por vogal (as). Dessa forma, unimos a última sílaba de (abro) com a palavrinha seguinte (as), numa só sílaba poética (broas).

E / con / ver / sa / mos / TO / da a / noi / te, en / QUAN / to - A
A / vi / a / lác/ tea, / CO / mo um / pá / lio a / BER / to, - B
Cin / ti / la. E, ao / vir / do / SOL, / sau / do / so e em / PRAN / to, - A
In / da as / pro / cu / ro / PE / lo / céu / de / SER / to. - B

Di / reis / a / go / ra: / "TRES / lou / ca / do a / MI / go! - c
Que / con / ver / sas / com / E / las? / Que / sem / TI / do - d
Tem / o / que / di / zem, / QUAN / do es / tão / con / TI / go?" - c

E eu / vos / di / rei: "A / MAI / pa / ra en / ten / DÊ- / las! - e
Pois / só / quem / a / ma / PO / de / ter / ou / VI / do - d
Ca / paz / de ou / vir / e / DE EN / ten / der / es / TRÊ / las. - e

Agora, mãos à obra. Vamos treinar?
Grata pela atenção.

Teoria/Técnica do meu SONETIM

1 NOÇÕES CONCEITUAIS

Sonetim é uma estrutura poética criada pela Poeta Sílvia Mota.

2 ESTRUTURA

O sonetim estrutura-se em quatro estrofes: 4, 3, 2, 1 versos alexandrinos.

3 SÍLABAS GRAMATICAIS E SÍLABAS MÉTRICAS: DIFERENTES?

Sim, são diferentes, senão vejamos.

3.1 Sílaba gramatical

Vejamos um exemplo: “Canção de amor”

Separação das sílabas gramaticais:

Can / ção / de / a / mor.

3.2 Sílaba métrica

O fenômeno da separação das sílabas métricas (sons) chama-se “escansão dos versos”. Sendo assim, as sílabas métricas contam-se a partir da sonoridade, ditada por elisões e outras figuras gramaticais. Todo verso de forma fixa passa, obrigatoriamente, por este processo, que é diferente no caso das sílabas gramaticais.

Vejamos o exemplo anterior: “Canção de amor”

Como estamos a falar de SOM, sabemos que ninguém lê desta forma, pronunciando, detalhadamente, sílaba por sílaba. Seria, no mínimo, pedante... rs

Sílabas métricas, poéticas ou sons:

Can / ção / dia / mor

Olhem a elisão aí, na terceira sílaba: “dia”! Entenderam?

Mais um exemplo? Vejamos:

Vamos tomar, por exemplo, um dos mais famosos sonetos de Olavo Bilac. Observemos tanto a métrica, quanto as rimas, neste caso: ABAB – ABAB -

Este soneto que lhes apresento é o denominado verso decassílabo heróico.

Colocarei em letras maíusculas as sílabas tônicas (fortes):

O / ra / (di / reis) / ou / VIR / es / trê / las! / CER / to - A
Per / des / te o / sen / so!" E eu / VOS / di / rei, / no en / TAN / to, - B
Que, / pa / ra ou / vi- / las, / MUI / ta / vez / des / PER / to - A
E a / bro as / ja / ne / las, / PÁ / li / do / de / es / PAN / to... - B

No 2º verso ocorre uma elisão na 3ª sílaba. A palavra (te) termina em vogal e a próxima palavrinha é uma vogal solitária (o). Neste caso, juntamos as duas vogais numa só sílaba poética (teo), por isso só temos 3 sílabas. Logo a seguir, ocorre outra elisão na 5ª sílaba poética. A palavra (senso) termina em vogal e as que lhe seguem são todas vogais (E eu). Faz-se a junção, mais uma vez (soeu). Ufa! Outra elisão, no mesmo verso, desta vez na 9ª sílaba. A palavra (no) termina por vogal e a próxima (entanto), também começa por vogal. Juntamos tudo (noen).

No terceiro verso há uma elisão na 3ª sílaba. A palavra (para) termina por vogal (ra) e a seguinte (ouví-las) também começa por vogal. Aqui também juntamos os sons das vogais (rou), por isso temos somente 3 sílabas poéticas.

No quarto verso há uma elisão logo na 1ª sílaba, em decorrência da vogal solitária seguida da palavra (abro) que se inicia por uma vogal. Logo à segunda sílaba, outra elisão. A palavrinha (abro) termina em vogal e a subsequente também inicia-se por vogal (as). Dessa forma, unimos a última sílaba de (abro) com a palavrinha seguinte (as), numa só sílaba poética (broas).

E / com / ver / sa / mos / TO / da a / noi / te, em / QUAN / to - A
A / vi / a / lác/ tea, / CO / mo um / pá / lio a / BER / to, - B
Cin / ti / la. E, ao / vir / do / SOL, / sau / do / so e em / PRAN / to, - A
In / da as / pro / cu / ro / PE / lo / céu / de / SER / to. - B

Di / reis / a / go / ra: / "TRES / lou / ca / do a / MI / go! - c
Que / coN / ver / sas / com / E / las? / Que / sem / TI / do - d
Tem / o / que / di / zem, / QUAN / do es / tão / con / TI / go?" - c

E eu / vos / di / rei: "A / MAI / pa / ra en / ten / DÊ- / las! - c
Pois / só / quem / a / ma / PO / de / ter / ou / VI / do - d
Ca / paz / de ou / vir / e / DE EN / ten / der / es / TRÊ / las. - c

4 AS RIMAS NO SONETIM

Para ilustrar este tópico busco em Antônio Feliciano Castilho uma atraente colocação a respeito da pedileção entre o verso rimado e o livre: “Os bons versos soltos são muito bons; os versos bem rimados são muito melhores.” Não importa que se façam versos com rima ou sem rima, clássicos ou livres; importa, sim, que se façam versos, versos e mais versos. (FERNANDES, José Augusto, Dicionário de rimas. 10. ed. p. 26)

Concordo. A função do poeta é MARAVILHAR o leitor! E, isso, só ocorre com exercício diário.

Então, vamos estudar.

O sonetim exige duas únicas rimas assim concentradas: AAAA, BBB, AA, B.

Nas três primeiras estrofes as palavras que coroam os segundos hemistíquios dos primeiros versos, assim como as dos primeiros hemistíquios dos últimos versos, devem rimar entre si. As rimas dos primeiros hemistíquios não se prendem às dos segundos hemistíquios, sendo livres a cada estrofe. No último verso o poeta optará por rimar as palavras que coroam ou o primeiro ou o segundo hemistíquio, ou ambos.

Deve-se lembrar a diferenciação entre a rima CONSOANTE (utilizada no Sonetim: santa/planta/encanta/tanta) e a rima TOANTE (brilho/silo/atiro/colírio) que não cabe no Sonetim, da mesma forma que não é aceita nos poemas clássicos.

5 O NÚMERO DE SÍLABAS NOS VERSOS DO SONETIM

Dissemos acima: Sonetim EXIGE versos alexandrinos.

Os VERSOS ALEXANDRINOS apresentam-se com 12 sílabas poéticas (dodecassílabos). Contudo, não lhes bastam as 12 sílabas. Exigem outras regrinhas.

Vamos aprendê-las?

PRIMEIRA REGRINHA:
O verso alexandrino possui 12 sílabas poéticas - o METRO - com a presença obrigatória da tônica - que determina o RITMO, na 6ª e 12ª sílabas poéticas.
Existem outras formas de demarcar o RITMO, como por exemplo:
a) presença da tônica na 2ª, 4ª, 6ª, 8ª, 10ª e 12ª;
b) presença da tônica na 3ª, 6ª, 9ª e 12ª;
c) presença da tônica na 4ª, 6ª e 10ª e 12ª.

SALIENTA-SE que somente ocorrerá um verso essencialmente alexandrino quando ocorrer a tônica na 6ª e na 12ª sílabas poéticas.

SEGUNDA REGRINHA:
Ressalto algumas regras conhecidas por todos os sonetistas, sobre a colocação das tônicas em seus sonetos, permitindo que o verso dodecassílabo seja caracterizado como alexandrino ou não:
1) Todos os SEGUNDOS HEMISTÍQUIOS de todos os versos terminarão com palavras paroxítonas (chamadas de palavras graves).
2) Jamais finalizar o 1º HEMISTÍQUIO com palavra proparoxítona.
3) Ao término do 1º HEMISTÍQUIO, com palavra paroxítona terminada em vogal, faz-se necessário que a próxima palavra comece com uma vogal átona ou consoante muda para haver a ELISÃO;
4) Se terminarmos o 1º HEMISTÍQUIO com palavra oxítona, com ou sem elisão com a palavra seguinte, o dodecassílabo se mantém.

Quaisquer dúvidas quanto à concretização do Sonetim, coloco-me à disposição.
Para conhecer a origem da nova forma poética ler: A busca pelo meu Sonetim, aqui no Recanto das Letras e/ou na PEAPAZ.

MOTA Sílvia. Teoria/técnica do meu Sonetim. Publicado originalmente na PEAPAZ: rede sócio-cultural poetas e escritores do amor e da paz, Rio de Janeiro. Disponível em: http://silviamota.ning.com/group/teorialiteraria/forum/topics/teoriatecnica-do-meu-sonetim Publicado em: 9 de outubro de 2010.

O que é um Poetrix?


No dia 9 de janeiro de 2010, às 15h16min, em um dos meus blogs, Goulart Gomes (o Pai do Poetrix), postou um comentário, agradecendo-me o texto abaixo. À época, ofereceu-me um poetrix.
Goulart Gomes disse...

Muito grato pelo texto, Sílvia. Um poetrix para você:

consulesa

se és causa e efeito
não me importo
eu sou o meio


No dia 6 de março recebi outro e-mail do referido autor, convidando-me para participar da Antologia Poetrix 4 Terra. Tive a felicidade de ver nove Poetrix selecionados para a referida obra, que será lançada na Bienal em São Paulo - 2010.

***********************

O POETRIX é modalidade de poesia minimalista criada por Goulart Gomes, nascido em Salvador da Bahia, em 1º de maio de 1965. Professor, Mestre e Doutor em Literatura, autor de inúmeros livros/Ensaios de Literatura e Diretor/Professor da oficina literária mais antiga do Brasil, o autor obteve 65 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e participou de 48 coletâneas publicadas no Brasil, Cuba, Espanha, USA, Itália, França e Coréia do Sul, possuindo trabalhos divulgados em diversos países. Atualmente é o Coordenador Geral do Movimento Internacional Poetrix. Como editor alternativo propiciou a publicação de 53 livros e coletâneas de novos autores.

Muitas pessoas criam frases ou provérbios, separam-nos em três linhas e pensam ter criado POETRIX. Não é assim... O POETRIX requer um talento específico, pois como poesia em síntese carrega, em poucas sílabas poéticas, dispostas em somente três versos, um enredo “por inteiro”. Abrilhantado por ricas metáforas, expõe um fato social, uma história de amor ou desamor, um sonho ou pesadelo, uma ilusão ou desilusão, entre outros. O poder do título carrega a essência dos versos, aos quais se proíbem as orações coordenadas, as conjunções adversativas e as rimas forçadas. O pensamento que subjaz implícito nos versos do POETRIX, expõe mais do que o explícito.

Cognominado "poeminha da Internet" o POETRIX acompanha as características do mundo virtual, onde tudo é muito rápido, dinâmico, objetivo, conciso e fugaz. Mas, nem por isso, deve ser “abortado” e considerado inferior às demais modalidades poéticas. Ao contrário, faz-se mister conceber e parir o POETRIX, da mesma forma que ocorre com as demais criações poéticas. O processo criativo requer: inspiração, dom, competência e hábil individualidade, aliados a um exercício contínuo, sem o qual tudo se queda a uma mesmice modorrenta e embolorada. O POETRIX precisa de tudo isso e nada mais do que isso. Salienta-se, contudo: é muito mais fácil errar em 3 linhas do que em 300, 3.000 ou 30.000. Notam-se erros crassos, persistentemente.

Para explicar o POETRIX em POETRIX criei, em 11 de março de 2009:

terceto em conceito

momento poético
em síntese e ápice:
poetrix


POETRIX vem, POETRIX vai, criaram-se a partir do grupo virtual POETRIX (literatrix-subscribe@yahoogrupos.com.br), variações para o novel estilo, denominadas de “Formas Múltiplas do Poetrix”. Entre essas, surgem os duplix, triplix, multiplix (criações coletivas estruturadas por dois ou mais poetrix, de acordo com as palavras que lhes deram origem), clonix (gerado a partir de outro), graftix (ilustrado), concretix (concreto) e cirandas (séries temáticas).

No plural, a palavra POETRIX não se altera e os praticantes do estilo são chamados de POETRIXTAS.

Não se pode olvidar: POETRIX não é HAIKAI e muito menos uma frase tripartida.

A seguir, a evolução do POETRIX, de acordo com o Movimento Poetrix.

INICIALMENTE, o MANIFESTO DO POETRIX foi concebido da seguinte forma:

1. No POETRIX, o título é desejável, mas não exigível. Ele exerceria uma função de complementaridade ao texto, Definindo-o ou sendo por ele definido (depois, o título passaria a ser uma exigência).

2. Não existe rigor quanto ao número de sílabas, métrica ou rimas no POETRIX, mas o uso do ritmo e da similaridade sonora das palavras, sim (depois, foi estabelecido o limite de 30 sílabas métricas).

3. O uso de metáforas e outras figuras de linguagem são uma constante no POETRIX, assim como a criação de neologismos.

4. A interação autor/leitor deve ser provocada através da subliminaridade do POETRIX.

5. O POETRIX é necessariamente uma arte minimalista, ou seja, procura transmitir a mais completa mensagem com o menor número de palavras.

6. O POETRIX considera Passado, Presente e Futuro numa só dimensão: TEMPO, podendo ser utilizado indistintamente.

7. No POETRIX o observador (autor), as personagens e o fato observado podem interagir, criando condições suprarreais ou ilógicas ("non sense").

POSTERIORMENTE, algumas regras para a realização do POETRIX sofreram mudanças, passando-se a exigir o título e um máximo de trinta sílabas poéticas.

Sites relevantes sobre o POETRIX:
Site de Goulart Gomes: http://www.goulartgomes.com
Site do Movimento Poetrix: http://www.movimentopoetrix.com

No mais, ADORO escrever e ler POETRIX.
Gosto tanto, que o nome do meu Rottweiler é Poetrix! rsrsrs

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz. O que é um poetrix? Poetas e Escritores do Amor e da Paz, Rio de Janeiro. Disponível em: http://silviamota.ning.com/group/teorialiterria/forum/topics/o-que-e-um-poetrix. Publicado em: 16 jul. 2009, 12h25 (Site da Magriça). Reeditado.



Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz